Artesanato em tecelagem

Tempos houve em que os teares, feitos em madeira da terra abundavam, transformando o linho, o algodão e a lã na matéria prima que permitia a confecção de todas as peças do bragal, das mais modestas e rudes às de mais delicada textura, de todo o vestuario e, ainda, de outros produtos para o lar. A região da Flandres, de onde provinham tecidos desde o século XVI, foi a grande influenciadora da actividade têxtil açoriana, quer a nível da preparação das matérias primas, quer da tinturaria (feitas pela infusão de plantas endémicas) e até da confecção. Reconhecida como a mais importante manifestação de arte popular a tecelagem açoriana goza da merecida fama pela perfeição e gosto qie espelha e pela sua importância sócio-económica, em termos de criação de emprego e de exportação, principalmente tecidos de linho.

Mantas e Tapeçaria

Os cobertores e mantas, na singeleza da sua padronagem lisa, ou de riscas bem definidas, são a memória de um passado de austeridade, em que cada tecedeira provia às múltiplas necessidades do lar. Desse tempo permanecem, também, as mantas roscadas similares às feitas no Continente, tecidas com retalhos coloridos, com que se atapetavam as varandas nos dias festivos e que, hoje, ainda mantém funcionalidades de tapetaria.

A pureza destes trabalhos evidencia que, mesmo utilizando materiais mais grosseiros, há um perfeito domínio das técnicas de tecer, capaz de criar beleza e tornar atractivos mesmo os trabalhos mais modernos.

Bonecos de Pano Regionais

Feitos em pano são, como a própria designação indica, miniaturas que reproduzem o trajar típico das gentes açorianas. Artefactos que, de há muito tempo, perderam a função lúdica para se assumirem como evocação de uma das mais valiosas parcelas da cultura tradicional local, dão a conhecer os trajes que, agora, só podem ser vistos, envergados por elementos de grupos etno-folclóricos. Feitos com grande rigor de pormenores, fruto de uma aturada pesquisa e de uma não menor qualidade de elaboração, estes bonecos não só enriquecem o património açoriano como, graças a eles a cultura que representam, extravasa os limites físicos do Arquipélago, levando a memória destas terras e gentes a todos os continentes.

Renda

Terras de mareantes e pescadores, o Arquipélago não foge à tradição de ser lugar propício à proliferação de trabalhos de linha, feitos com bilros, agulha e outros utensílios.

Rendas e similares que reproduzem influências diversas, ou não arribassem aqui as rotas do mundo. Mas, também, que afirmam uma criatividade própria através da renda de gancho e do crochet de arte, variedade autóctone que prestigia o artesanato açoriano.

Tudo o mais é fruto dos saberes e perfeição de quem dá forma a tão atraente e delicada renda.

Bordado da Terceira

Vulgarmente conhecido por bordado a branco popularizou-se na ilha Terceira onde as bordadeiras locais dão características peculiares a esta variante do bordado inglês, enriquecendo-o com os tradicionais ilhoses, que lhe conferem maior harmonia e leveza. A perfeição do sóbrio gosto destes bordados são há muito reconhecidos, vangloriando-se de ter sido o mercado britânico o primeiro a interessar-se por estes trabalhos.

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