Casa dos Botes Baleeiros

Num passado não muito distante, até meados da década de setenta, existiu nesta freguesia uma armação baleeira e uma fábrica de tratamento de produtos derivados, composta por campanhas de baleeiros, que seguiam «mar afora» ao encontro dos cachalotes que os vigias costeiros lhes indicavam. Cada canoa tinha por campanha sete homens: seis remadores e um oficial. Ao remador da proa competia também os cargos de arpoador e trancador. O oficial governava a canoa através da esparrela (um remo que, às vezes, servia de leme). Determinado o ponto no qual o cetáceo fora avistado e dado o aviso de «baleia à vista», o centro baleeiro lançava um foguete de três bombas de imediato, para dar sinal às famílias dos homens das campanhas, que deveriam comparecer no centro equipados com roupas, alimentos, água e vinho, o mais depressa possível. Duas lanchas a motor rebocavam as canoas desde o porto até perto do ponto, onde se encontravam as baleias. A partir daí, os homens remavam em busca da melhor posição para arpoar o lombo da baleia. Depois de trancada, o bote era rebocado para terra, onde a gordura subcutânea era transformada em óleo e a carne e resíduos em guano. Atualmente, ainda é possível encontrar vestígios desta atividade transformadora na zona do Negrito. A Casa dos Botes Baleeiros expõe um vasto leque de objetos e fotografias associados a esta atividade. Com sorte, poderá cruzar-se com um dos antigos baleeiros da freguesia e ouvir as suas histórias de caça ao cetáceos.

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