Igreja de São Gonçalo

Apresenta dois claustros, cerca e granéis sendo a igreja, com coros alto e baixo, em estilo barroco e conventual, considerados dos melhores exemplos, no arquipélago, da arquitetura do reinado de D. João. Três parlatórios, de dupla grade e roda, permitiam o contacto entre o grupo de reclusas e a comunidade. No coro baixo da igreja, cujo lajeado em pedra cobre as sepulturas das religiosas, destaca-se uma imagem processional do Senhor dos Passos, junto à grade. O coro alto, assobradado com a mesma madeira da talha dourada, possui na parede dos fundos um oratório/altar com diversa imaginária religiosa e alfaias cultuais em prata, em grande parte proveniente do antigo Convento de Jesus, na Praia da Vitória, de onde vieram aquando da extinção dos conventos no século XIX. Neste coro, está o cadeiral da Congregação, com figuras míticas (grifos, quimeras) esculpidas nos braços dos assentos. Neste coro, também se pode ver uma original “chinoiserie”, no interior do óculo da grade, e um órgão setecentista, assim como uma estante em exótica. A pintura do teto, posterior à do teto da igreja, valoriza o conjunto. No retábulo em talha da capela-mor, da época em que o rococó se afirmava, vê-se uma escultura seiscentista do Crucificado como Divino Imperador, com a coroa e o ceptro em prata dourada, sobre uma cruz revestida a prata filigranada, num conjunto de grande equilíbrio atribuído à escola espanhola, possivelmente de origem sul-americana. Dispostas nos nichos do retábulo da capela-mor, estão as imagens setecentistas de São Francisco de Assis e de Santa Clara. Do início do século XVIII, as interessantes pinturas sobre tela, emolduradas pela talha dourada do corpo da igreja, figuram, do lado da Epístola, o Menino entre os Doutores, a Fuga para o Egito e a Apresentação no Templo, e, do lado do Evangelho, a Visitação, a Anunciação pelo Anjo e o Casamento da Virgem. A talha dourada do púlpito e a da respetiva escada é anterior à da nave da igreja. A decoração setecentista da igreja está ainda representada pelos painéis em azulejos, da época joanina, atribuídos por José Meco a Teotónio dos Santos, discípulo de António Bernardes, que terá realizado esta obra entre 1720 e 1730. Os quatro painéis contam a história de José do Egito, que se inicia do lado do Evangelho, com o rebanho e os irmãos de José, o poço onde este foi aprisionado e narração do sucedido ao pai.

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